Ano novo, aeroporto novo em Porto Alegre

A alemã Fraport desembarca na capital gaúcha em 2018 para colocar em prática sua expertise e seriedade na reforma do Salgado Filho. Com 25 anos de concessão, a empresa quer entregar uma nova experiência aos gaúchos na hora de viajar

Andreea Pal

Em março deste ano, o governo federal realizou um grande leilão de importantes aeroportos brasileiros. O objetivo era entregar à iniciativa privada a concessão, em um determinado tempo, para expansão, modernização e otimização dessas áreas, além de desonerar os custos mensais de manutenção. Os aeroportos de Fortaleza, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre estavam à disposição para arremate, e a curiosidade dos gaúchos era saber qual empresa administraria o Salgado Filho pelos próximos 25 anos.

Quem venceu a corrida foi a alemã Fraport. A empresa, criada em 1924, é uma das gigantes do setor aeroportuário. Sob seu comando está, por exemplo, o aeroporto de Frankfurt, na Alemanha, considerado o principal da Europa e que em 2016 recebeu 61 milhões de passageiros. A partir dele são feitas conexões para outros países europeus e continentes, como a Ásia, tanto para turistas quanto para negócios em geral, como exportações. Na América do Sul, a Fraport gerencia o aeroporto de Lima, no Peru, desde 2001, em modelo parecido com o proposto pelos brasileiros. Outros 22 estão sob administração do grupo em locais como São Petesburgo, na Rússia, Nova Delhi, na Índia e Xi’an, na China.

Após a assinatura de contrato, no fim de julho, os alemães decidiram montar a equipe de trabalho em solo brasileiro. A expectativa é que a partir de janeiro seja possível observar alguns canteiros de obras próximos ao Salgado Filho, indicando o início da ampliação da pista, do terminal de passageiros e a drenagem do aeroporto. Conforme a Fraport, a grande maioria dos trabalhadores será de brasileiros e todos passarão por um período de treinamento e conhecimento da empresa. Além dos gaúchos, os cearenses também contarão com a presença alemã, uma vez que o aeroporto Pinto Martins, de Fortaleza, fora arrematado. Para comandar as ações nas duas capitais e trazer a excelência às obras, Andreea Pal foi nomeada como a CEO do grupo no Brasil.

Andreea é uma experiente executiva. Há cerca de 20 anos na Fraport, ela começou na área de gestão de tecnologia e inovação até chegar à vice-presidência entre 2001 e 2009. Nos últimos sete anos, a CEO trabalhou na Rússia, à frente do aeroporto de São Petesburgo, onde ajudou a implementar as mudanças necessárias para otimizar processos, principalmente com a melhora na infraestrutura. Fluente em quatro línguas, formou-se como engenheira de energia na Romênia e fez especializações na Inglaterra e na Suíça.  Agora, no Brasil, pretende colocar em prática seu conhecimento adquirido na teoria e na prática. “Porto Alegre e o estado do Rio Grande do Sul contam com uma localização estratégica na América do Sul e fazem parte de uma das regiões econômicas mais importantes do País. Estamos cientes de que a cidade e o estado foram afetados pela crise econômica, mas acreditamos no futuro de toda a região. O aeroporto tem um papel fundamental no desenvolvimento econômico e concentrará seus esforços para aumentar sua atratividade por meio de melhorias contínuas em sua infraestrutura e processos operacionais”, salientou.

Conforme a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que conduziu os estudos de viabilidade para expansão e modernização dos aeroportos concedidos, a expectativa é de investimento na casa dos R$ 2 bilhões durante os 25 anos. Entre as exigências, estão a polêmica ampliação da pista de pouso e decolagem em 920 metros, chegando ao total de 3200m. Há uma intensa discussão em torno do tema por conta da necessidade de desocupação das áreas nas quais a pista será construída, em virtude do número de famílias residentes na Vila Dique e Vila Nazaré. Além disso, estão previstas a ampliação do terminal de embarque e a construção de um novo edifício-garagem. As primeiras etapas devem ser entregues já em 2019, conforme cronograma. Recentemente, o grupo de trabalho da Fraport no Brasil esteve com o governador José Ivo Sartori para alinhavar algumas questões referentes às obras.

Para Andreea Pal, os gaúchos passarão a ter uma nova experiência no Salgado Filho com o andar das reformulações previstas. Existem projetos para melhorar a mobilidade, com a reformulação da malha rodoviária, melhoria nos acessos aos táxis e de toda área de embarque e desembarque, além da automatização dos terminais, a fim de gerar maior rapidez entre o check-in e a entrada na aeronave aos que deixarem Porto Alegre, e para retirada de bagagens e chegada nas plataformas aos novos visitantes. Outro quesito é o aumento no terminal de cargas, o que pode tornar a capital gaúcha ponto estratégico para o Mercosul. “A Fraport Brasil está planejando diversos projetos que impactarão a infraestrutura e processos relacionados ao transporte de carga. Por exemplo, no Salgado Filho, a expansão em 920 metros das pistas de pousos e decolagens – atualmente tem 2280 metros – permitirá que o aeroporto receba aviões maiores e aumentará a capacidade de transporte de carga. Esse investimento gerará, sem dúvida, maior movimentação”, destaca a CEO.

No primeiro momento, segundo Andreea, cerca de 350 trabalhadores serão contratados para trabalhar nas obras. O número pode crescer de acordo com a necessidade de cumprimento dos prazos estipulados na concessão. A empresa alemã abriu duas novas subsidiárias no Brasil exclusivamente para cuidar dos aeroportos arrematados, e concentrou algumas das funções administrativas em Porto Alegre. Esse é mais um movimento positivo gerado na relação entre o estado e os germânicos, marca bastante consolidada em 2017 com a inauguração do Centro de Estudos Europeus, em parceria com a UFRGS e a PUCRS e o Encontro Econômico Brasil-Alemanha, realizado em novembro.. A CEO comentou também sobre as particularidades de ambos os centros. Enquanto Fortaleza é reconhecida pelo seu alto número de turistas para conhecer suas belas praias e paisagens naturais, a capital gaúcha costuma receber visitantes para congressos e reuniões, por exemplo. “A capital cearense é uma importante cidade sob o aspecto de localização. É uma ligação para os países da América do Norte e da Europa pela distância um pouco reduzida. Porto Alegre também tem a sua importância como conexão para o Mercosul. A Fraport acredita no potencial destes aeroportos e concentrará seus esforços para aumentar sua atratividade por meio de melhorias contínuas”, explicou.

O grupo alemão pretende avaliar a possibilidade de arrematar mais aeroportos no Brasil, em uma nova rodada de concessões prometida pelo governo federal para 2018, ainda que os planos sejam exclusivamente para o Pinto Martins e o Salgado Filho. O momento econômico vivido pelo país é visto como oportunidade de investimentos para as empresas estrangeiras; trazer expertise e aliar investimento e geração de postos de trabalho trarão, na visão da executiva, uma relação duradoura entre Fraport e o Brasil. “É verdade que a economia brasileira enfrenta alguns desafios. No entanto, acreditamos nas perspectivas a longo prazo do país. Por conta da natureza do nosso negócio, temos um horizonte de investimento de longo prazo. Estamos convencidos de que o mercado de aviação brasileiro ainda tem grande potencial de exploração e estamos empenhados em construir relacionamentos fortes no Brasil”, afirmou Andreea Pal. O intuito é chegar ao final dos 25 com o objetivo cumprido: clientes mais satisfeitos, processos facilitados e crescimento na oferta e procura de oportunidades. “Iremos assegurar serviços e segurança de alta qualidade nos aeroportos de Fortaleza e de Porto Alegre, em conformidade com os melhores padrões do setor. Os projetos criarão uma experiência agradável baseada em limpeza para os clientes, tempos de espera razoáveis, espaços comerciais atraentes e qualidade de atendimento”.

A FRAPORT NO AEROPORTO SALGADO FILHO

  • Tempo de Concessão: 25 anos, prorrogáveis por mais cinco;
  • Valor a ser investido: R$ 2 bilhões;

Principais melhorias:

  • Ampliação da pista em pelo menos 920 metros;
  • Construção de um novo edifício-garagem, com 4300 vagas;
  • Ampliação do pátio para as aeronaves;
  • Construção de seis novas plataformas de embarque;
  • Construção de um novo terminal de cargas;
  • Reforma no terminal 2 do Salgado Filho;
  • Implementação de sistemas de segurança e gerenciamento de bagagem;
  • Melhorias na infraestrutura rodoviária e de tráfego na região.

Publicado na edição 37 da revista Gente que Faz

 

 



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