No Benjamin, há algo que transcende o cardápio

Na cadência acelerada dos dias, há convites que não apenas interrompem a agenda, eles a elevam. Foi assim com nossa recente visita ao Benjamin Osteria Moderna, um endereço que reafirma sua posição entre os grandes nomes da gastronomia do sul ao mesmo tempo em que inaugura uma nova fase: mais sensorial, fluida e contemporânea.

Entre o design preciso e acolhedor, onde cada elemento parece pensado para desacelerar o olhar, e a cozinha de identidade italiana reinterpretada com frescor, o Benjamin agora propõe dois tempos distintos para viver a casa.

Durante o dia, o il Pranzo apresenta uma narrativa leve e sazonal. À noite, o restaurante ganha outra cadência: mais vibrante, compartilhada, quase festiva.

E foi nesse segundo ato que nos deixamos conduzir.

À mesa, começamos dividindo os impecáveis Cannoli di Tonno e os surpreendentes flatbreads de frutos do mar — pratos que já anunciam, com precisão estética e técnica, o que está por vir.

Na sequência, o Wagyu na brasa revelou textura e profundidade, enquanto o polvo, simplesmente perfeito, confirmou o domínio da cozinha sobre o tempo e o ponto.

A sobremesa, compartilhada como manda a melhor tradição italiana, foi uma Panna Cotta que carrega história: receita trazida da Itália pelo chef Bruno Hoffmann, inspirada em sua passagem pelo Al Castello di Alessandro Baglioni, casa reconhecida com duas estrelas Michelin. Um final que equilibra memória, técnica e delicadeza.

E então, quase como um respiro entre os tempos do jantar, um detalhe revela a alma do lugar.

No caminho até o lavabo,  que por si só já é um capítulo à parte, somos convidados a um encontro silencioso com retratos que contam histórias. E é ali que Lucas, com sensibilidade rara, transforma um simples deslocamento em narrativa: compartilha, com carinho e respeito, o significado daquelas imagens, conectando passado e presente com uma delicadeza que não se ensaia — se sente.

Mas há algo que transcende o cardápio e que define, de fato, a experiência.

O serviço.

Lucas inaugura o encontro com uma paixão contagiante. Seu João, hoje gerente, traduz em trajetória o significado de hospitalidade genuína. Rose, a sommelier, conduz harmonizações com sensibilidade e precisão. E Alex, no bar, encerra a noite com assinatura própria: um drinque sem álcool que encantou Martina e um limoncello autoral que mais parecia um gesto de afeto.

Há técnica, há estética, há conceito. Mas, sobretudo, há alma.

E quando tudo se alinha dessa forma, resta apenas reconhecer!

Che spettacolo.

(Crédito das imagens Léo Spilberg)



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