Quem quer ser Warren Buffet?

Considerado o maior investidor de todos os tempos, aos 89 anos o americano Warren Buffett soma uma fortuna estimada em US$ 90 bilhões. Sua trajetória é motivo de inspiração para muita gente. Mas quem está realmente disposto a se tornar um multimilionário ou simplesmente a sair do vermelho? Seja para organizar o orçamento ou para investir, especialistas mostram que o caminho passa pela educação financeira

Warren Buffett é uma lenda. Começou a investir na bolsa de valores aos 11 anos de idade. Ergueu seu império aplicando recursos naquilo que chama de “pontas de cigarro”: empresas com apenas mais uma baforada. Comprava aquelas que estavam sendo negociadas abaixo de seu valor e vendia com lucro, quando as ações ganhavam um último respiro.

Contam que seu estilo de investimento foi influenciado pelo livro The Intelligent Investor, de Benjamin Graham. Tem como lição nº 1: nunca perder dinheiro. E nº 2: nunca esquecer a lição nº 1. Mas não é por isso que deixa de fazer filantropia. Muitos acionistas da sua companhia, a Berkshire Hathaway, seguem a regra 10/10/80: doam 10%, poupam 10% e gastam 80%. Mas como chegar lá?

 

 

“Com muito pouco você já pode se tornar um investidor e ao longo do tempo o seu sucesso não será alcançado através retornos rápidos no curto prazo, mas em retornos consistentes por muito tempo, amparados em um planejamento bem estruturado”, detalha Carolina Giovanella, sócia fundadora da Portofino Investimentos, gestora de recursos independente, especializada em oferecer o trabalho de análise, montagem e manutenção de portfólios de investimentos no Brasil e no exterior.

Segundo ela, o que se deve ter em mente é que as opções vão muito além da poupança, do Certificado de Depósito Bancário (CDB) ou do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Comenta, por exemplo, sobre a necessidade de os brasileiros entenderem mais sobre os investimentos em ações.

Em abril deste ano, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a um milhão de investidores, marca histórica e até comemorada, mas que olhando sob uma ótica mais ampla não é tão louvável assim: representam apenas 0,5% da população brasileira.

Menciona que o conhecimento vem com a educação financeira. E para quem não tem tempo para se dedicar ao tema, ou não se interessa pelo assunto, existem empresas especializadas em gestão de patrimônio de pessoas, os chamados family offices, que se preocupam em trazer a cultura financeira para o ambiente familiar. É o caso da Portofino, que deve fechar 2019 com R$ 4 bi sob sua administração.

 

> Carolina Giovanella, sócia fundadora da Portofino Investimentos, gestora de recursos independente, especializada em oferecer o trabalho de análise, montagem e manutenção de portfólios de investimentos no Brasil e no exterior para famílias

Este ano, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) lançou o Papo Reto, uma das maiores campanhas de educação financeira já realizadas no país (www.paporetocomfebraban.com.br). Em vídeos, são repassadas dicas importantes para o dia a dia, como uso consciente do cartão de crédito, dívidas e juros.

Além disso, a partir de 2020, educação financeira será uma disciplina obrigatória na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino infantil ao médio. Como disciplina transversal, deverá permear tanto aulas de matemática como história, português ou geografia.

Elisabete Penz Beuren

A professora Elisabete Penz Beuren, mestre em Ensino e com formação em Educação Financeira pela metodologia DSOP, explica que é mais fácil educar o público nesta faixa etária, pois os adultos, em muitos casos, possuem vícios de consumo e não tiram o devido tempo para cuidar das finanças.

“Crianças e jovens possuem um alto poder de transformação quando o trabalho desenvolvido permite o protagonismo e a escuta das suas necessidades”, pontua ela.

O que o governo está projetando para o ano que vem, a professora já vivencia no dia a dia. Ela assessora o programa Educação Financeira na Escola, desenvolvido desde 2018 pela Sicredi Integração RS/MG no município de Travesseiro. O projeto piloto iniciou na Escola Municipal de Ensino Fundamental Pedro Pretto, com as turmas de 4º e 5º anos – séries que estudam o sistema monetário – e esse ano foi estendido à Escola Estadual de Ensino Médio Monsenhor Seger, contemplando o 9º ano – estudantes que já estão ingressando no mercado de trabalho como Jovem Aprendiz.

O programa forma professores, pais e alunos, com base na metodologia DSOP, que consiste em quatro etapas: diagnosticar, sonhar, orçar e poupar. Usam materiais pedagógicos diversos, como gibis da Turma da Mônica, jogos e situações da vida real.

“Estamos voltados para uma mudança de modelo mental, para o bom uso do dinheiro.  A intenção é que os jovens coloquem seus sonhos em primeiro lugar antes de sair consumindo e gerando endividamentos”, analisa Elisabete.

Neste contexto, ela cita Reinaldo Domingos, criador da metodologia DSOP: “Sonho é um agente motivador que nos mostra o verdadeiro sentido da vida e, com ele, nos sentimos empoderados a realizá-lo.”



Navegando para investir
Referências no assunto compartilham informações valiosas em seus sites:
* Gustavo Cerbasi (www.gustavocerbasi.com.br)
* Me Poupe! – Nathalia Arcuri (https://mepoupenaweb.uol.com.br)
* Primo Rico – Thiago Nigro (canal no Youtube)
* Quero ficar rico – Rafael Seabra (https://queroficarrico.com/blog)


ARTIGO
Como é o seu relacionamento com o dinheiro?
Por Cristiano Lowenhaupt Seibert (*)

As finanças comportamentais, nas últimas três décadas, comprovaram cientificamente que tomamos decisões baseadas em critérios emocionais e não exclusivamente racionais. Imediatistas, agimos sob efeito do contexto ou momento que vivemos.

Como reflexo disso, pesquisas apontam que mais de 40% dos brasileiros têm problemas de endividamento crônico, há mais pessoas que investem recursos em negócios que prometem altos retornos do que CPFs cadastrados na Bolsa de Valores, e a maioria dos poupadores têm a poupança como fonte segura de investimento.

Mas a educação financeira por si só não garante que as pessoas escolham o que é melhor para si. O seu relacionamento com o dinheiro vai depender da visão de mundo, da forma como encara a vida, a família e relacionamentos pessoais.

Iniciar um projeto de educação financeira através do simples e óbvio ensino de como alcançar o seu primeiro milhão não trará resultados de médio e longo prazo. Dan Arielly, pesquisador americano, em seu livro Previsivelmente Irracional, conclui que caso isso fosse cientificamente verdadeiro, ou seja, se as pessoas fossem criaturas 100% racionais, a vida seria maravilhosa e simples. Só precisaríamos dar a elas as informações necessárias para que tomassem boas decisões.

Costumo dizer que a eficácia de um projeto de educação financeira contempla um tripé: 1) mudança de comportamento em relação ao dinheiro, 2) alfabetização financeira nas escolas e 3) acesso à tecnologia e informação.

Cristiano Lowenhaupt Seibert

O problema básico é que nossos software e hardware internos foram se desenvolvendo, com o passar dos anos, para lidar com o mundo. E esse processo de tomada de decisão acaba por atrapalhar nossas escolhas. Por exemplo: sei quanto ganho e quanto tenho de despesas mensais. Mas como escolho pagar com cartão de crédito ou em dinheiro? Prefiro me presentear com um presente de R$ 100,00 hoje ou receber R$ 110,00 após alguns meses?

Existe uma característica cultural no nosso país que exige uma mudança em relação ao dinheiro que se ganha. Precisamos nos pagar primeiro, ou seja, definir claramente quanto iremos investir mensalmente e quanto sobra para lazer ou demais gastos não essenciais. Dessa forma, iniciativas em relação a metodologias de educação financeira surtirão efeito para uma mudança de fato na vida das pessoas.

Um dos precursores do tema, Gustavo Cerbasi, descreve em seu livro A Riqueza da Vida Simples, que as escolhas não devem ser feitas somente com base em números. Então, se você não está alcançando aquilo que deseja, precisa rever seu estilo de vida.

(*) Bacharel em Ciências Econômicas, com especialização em Finanças Corporativas e MBA em Economia Comportamental, é fundador da LW Educação Financeira, ministra cursos, presta consultorias e é professor na Escola Conquer Aceleradora de Pessoas.

Conteúdo publicado na edição 46 da revista Gente que Faz



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