Mindfull eating e a nova forma de se relacionar com o alimento

Um novo conceito dentro da Nutrição e Psicologia propõe novas formas de lidar com a alimentação, resgatando a sabedoria interna

As dietas de emagrecimento já são bastante conhecidas pelo público. Entretanto, um conceito novo e muito efetivo promete fazer com que as pessoas mudem a sua relação com a comida. Estamos falando do mindfulness, termo que surgiu nos EUA em 1979, mas que ainda é muito recente no Brasil. Traduzido para “atenção plena”, a prática consiste em mudar a forma como nos relacionamos com o nosso entorno.

Juliana da Rosa Pureza, professora de psicologia da Feevale

De acordo com a Professora de Psicologia da Universidade Feevale de Novo Hamburgo, Juliana Pureza, o mindfulness é a autorregulação da atenção, ou seja, a capacidade que nós possuímos de manter o foco no momento presente, no aqui e no agora. Muito mais complexo e profundo que isso, a prática propõe experiências diferenciadas. “O indivíduo começa a vivenciar sentimentos de curiosidade, abertura e aceitação, sem julgamentos à experiência que está tendo”, ressalta.

O mindfulness tem sido aplicado no comportamento alimentar e gerado bons resultados na forma como o paciente se relaciona com a própria alimentação. Mas antes de falarmos sobre isso, é importante mostrar porque as dietas estão sendo “esquecidas” por profissionais que trabalham com equilíbrio alimentar. Para Letícia Christianetti, Nutricionista do Contexto Saúde, o olhar sobre os alimentos que os classifica como certos ou errados, leva o paciente para uma ideia de restrição, o que pode representar uma grande cilada. “Prescrições dietéticas restritivas podem levar o indivíduo a um comer compulsivo a longo, médio e curto prazo, dependendo do perfil do paciente”, ressalta.

Quando se trabalha na perspectiva do comportamento alimentar, os pacientes começam a entender que todos os alimentos podem fazer parte da dieta. “Qualquer comida é bem-vinda. A pessoa começa a realizar escolhas alimentares mais conscientes, conectadas à sua individualidade e a valores pessoais, se sentindo livres para terem prazer no ato de se alimentar”, ressalta. Além disso, o comportamento alimentar está conectado com os valores de flexibilidade, socialização, prazer, saúde, bem-estar, compaixão que consequentemente, se fazem útil para quem busca o emagrecimento. “Em longo prazo, estes conceitos podem ser bem mais efetivos”, completa.

Débora Gallas, 27 anos, vivenciou a sensação de liberdade e prazer. A Jornalista buscou ajuda nutricional com o intuito de emagrecer. “Cheguei até a Letícia porque sentia a necessidade de questionar os meus hábitos alimentares. Mas, no fundo, esperava como resultado principal do acompanhamento nutricional, o emagrecimento. E qual não foi a minha surpresa quando, através do tratamento, passei a ter a oportunidade de questionar meus valores e perceber a relação entre a alimentação e meus objetivos de vida”, ressalta.

Débora Gallas, jornalista, buscou ajuda nutricional

No contexto alimentar, a prática de mindfulness, também chamada de mindful eating, visa alterar a relação que o paciente estabelece com a alimentação. “Muitas vezes, o ato de comer é realizado de forma impulsiva ou no “piloto automático”, sem consciência das experiências corporais, emocionais e cognitivas envolvidas. Além disso, muitas vezes, a alimentação é usada como uma forma de regular estados emocionais considerados negativos, como a ansiedade, raiva e tristeza”, ressalta Juliana. Para a Professora, a prática pode ajudar as pessoas a terem uma alimentação mais consciente, tolerante e menos impulsiva. “Isto pode, em alguns casos, interferir na quantidade de ingestão de alimentos e no ganho de peso”, completa.

Letícia Christianetti, nutricionista

A ideia de poder trabalhar o equilíbrio alimentar de uma maneira multidisciplinar e interdisciplinar deu início ao Contexto Saúde, projeto que conta com o trabalho conjunto de duas Nutricionistas e duas Psicólogas. O Contexto é um protocolo de atendimento que desenvolve habilidades na busca de equilíbrio alimentar, incentivando as pessoas a fazerem escolhas mais conscientes, dentro dos valores que são importantes para elas. O trabalho atende as necessidades do paciente na sua individualidade. “Trabalhamos com a ideia de notar as emoções e pensamentos, permitindo que as pessoas façam escolhas mais coerentes com os objetivos de cada um. Trabalhamos com o mindful eating, terapia da compaixão, pensamentos, comprometimento e técnicas para momentos de extrema dificuldade do comer exagerado”, completa.

Para Juliana, a prática vai muito além do contexto alimentar e traz benefícios importantes para o ser humano, como a autocompaixão, que consiste em uma postura bondosa, calorosa, não-avaliativa consigo mesmo frente a experiências de fracassos e sofrimento. “Maiores níveis de autocompaixão ajudam a diminuir o autocriticismo (tendência a ser muito duro, frio e punitivo consigo mesmo em situações de erros ou falhas), o que contribui para menores níveis de ansiedade, depressão e estresse, e também promove uma relação mais saudável com a alimentação de forma geral”, completa.

Já na experiência de Débora, os multi benefícios do mindfulness foram enriquecedores. A Jornalista relata que as técnicas de atenção plena foram muito bem-vindas para que pudesse cultivar uma relação benéfica com a comida. “Venho trabalhando a consciência plena em todo o planejamento necessário para o equilíbrio alimentar, desde formular a lista de compras para a feira, até reservar um momento da semana para preparar minha refeição com todo o carinho e sabor que eu mereço e, após, apreciá-la com todos os meus sentidos”. Além disso, Débora se deu conta que seguir à risca um cardápio padrão pronto e um rol de restrições não corresponde ao que ela quer para a sua vida. “Apesar de eu ter perdido peso desde o início do acompanhamento, o emagrecimento tornou-se apenas um dos efeitos possíveis diante de todas as coisas que tenho aprendido sobre mim mesma nessa caminhada”, conclui.

 

Dicas para começar a praticar o mindfulness na alimentação

1- Sente na mesma de frente para o seu prato servido;

2- Deixe o celular, a TV e outros objetos que possam desviar sua atenção longes de você;

3- Respire fundo para se desligar do externo e foque sua atenção apenas no momento presente;

4- Explore todos os seus sentidos: sinta o cheiro do alimento, repare nas cores dos ingredientes, na quantidade de comida servida, na forma como elas estão organizadas no prato, no barulho que a mastigação faz;

5- Mastigue devagar, sentindo a textura dos alimentos, prestando atenção somente nos fatores que envolvem o alimento e o seu corpo;

6- Coma sem pressa apreciando todos as sensações;

7- Depois que terminar, preste atenção nos sinais do seu corpo. Ainda está com fome? Está satisfeito? Como o seu estômago está? E o resto do seu corpo?

8- Para uma experiência completa, consulte profissionais especializados na té

 

Publicado na edição 39 da revista Gente que Faz

Texto Luísa Bergonci

Fotos divulgação



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