… e a gente entendeu como Maurício lançou seu feitiço

A minúscula Maurício, vizinha das mais famosas Madagascar e Seychelles, não está entre as cinco ilhas desejo na sua top list? Ah, então reveja seus destinos e carimbe seu passaporte com o charme do pássaro Dodô, hoje extinto, mas que ainda resplandece nas notas das rúpias locais. Vem com a gente e você vai entender que o escritor Mark Twain tinha toda razão quando disse algo como “o céu foi copiado de Mauricio”

Ile aux Cerfs

Chegamos ao entardecer no enclave que surge como uma sinfonia neste pequeno país insular, com 45 quilômetros de largura por 65 quilômetros de comprimento e de águas transparentes, que desabrocha no Oceano Índico. Um dos destinos de luxo mais exclusivos do mundo concentra a força da África, a tradição da Europa e o exotismo da Ásia, porém seus mais famosos cartões postais são suas praias de areias finas e de águas azul-turquesa e calmas. Maurício é rica e envolvente, sua vegetação é exuberante, é ladeada por crateras de vulcões, lagos e cachoeiras, e seus hotéis com infraestruturas espetaculares não medem esforços para mimar seus hóspedes, o que faz do destino um dos preferidos para casais em lua de mel. Mauritius surge no roteiro comumente após safáris, Johanesburgo e Capetown, pois está a 4h de voo da capital africana. Na minha estreia no Indico, ela foi o índigo inesquecível!

The Residence Mauritius, no enclave paradisíaco de Belle Mare

Porém, a singularidade deste lugar também está no seu povo, de harmonia racial que deveria inspirar todas nações. Os árabes foram os primeiros a registrar a existência de Mauricio ou Mauritius, que depois foi visitada pelos portugueses, colonizada por holandeses e controlada por franceses e britânicos. Conquistou sua independência em 1968 e virou destino de imigrantes indianos (60% da população), assim como de africanos, chineses e franceses.  Aliás, há de se dizer que Mahatma Gandhi teve um papel fundamental na questão, visitou várias vezes a ilha e suas palavras espalharam-se.   A influência dessa mistura é vista em tudo. Fala-se inglês (língua oficial), francês e crioulo (que moradores usam entre eles), reza-se em templos hindus, islâmicos e budistas, em mesquitas e igrejas, a mão de direção é a inglesa, há o gosto pelo chá e tudo combina.  Aqui celebra-se o Natal dos cristãos, o Ano Novo chinês e o Eid-al-fitr (que marca o fim do Ramadã, mês sagrado dos muçulmanos), além de diversas festividades hindus.

Um destino turístico de classe mundial

Com um governo democrático, estável, com eleições livres e direitos humanos respeitados, Maurício atrai grande investimento estrangeiro, ganhando assim a maior renda per capita da África. O país é comumente referido como a Suiça do Oceano Índico, com empresas estrangeiras  e expatriados absorvidos pela política estável, sistema fiscal vantajoso e vida com qualidade.  Sua flexibilidade monetária e fiscal despertou o lucrativo setor imobiliário de luxo e, consequentemente, o turismo.   A Maurícia multicultural está comemorando mais de 50 anos de independência  e há muito para celebrar sobre seu senso de orgulho e luxo. Depois de 158 anos de domínio britânico e da dependência pela indústria açucareira, ela é um destino turístico de classe mundial e um dos centros financeiros e comerciais mais importantes do continente africano.

Seus 320 quilômetros de costa, quase totalmente rodeada por uma imensa barreira de corais, a terceira maior do mundo, responsável pela transparência da água e pela rica vida marinha, são, sem dúvidas, sua maior riqueza aos olhos de quem a visita. E foi numa pérola deste paraíso que nos detivemos.

Texto publicado na edição 42 da revista Gente que Faz

Texto e fotos Neiva Schneider

http://gentequefaz.com/the-residence-mauritius/

http://gentequefaz.com/areia-como-po-de-talco-paisagens-idilicas-aguas-cristalinas/

http://gentequefaz.com/tambem-ha-o-que-se-fazer-em-terra-firme/

 



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