As lições que o esporte ensina a empresários

Onde o cansaço ensina e a vitória inspira

A jornada de muitos empresários tem um elemento em comum: além de exímios administradores, eles também são bons nas quadras, nas pistas e até mesmo no ar

Pode-se dizer que o esporte é um verdadeiro catalisador de performance. Ele proporciona aos empresários experiências que irão exigir treinamento contínuo, tomada de decisões assertivas, controle emocional, disciplina, resiliência e trabalho em equipe – habilidades igualmente decisivas nos negócios.

Por isso, a relação próxima entre o universo esportivo e o mundo empresarial, é uma estratégia que resulta em vitória, conforme o médico nutrólogo Márcio Nutels.

“Não há dúvida que o empresário que pratica alguma atividade física terá benefícios na sua empresa. Ele, principalmente, melhorará sua produtividade e terá mais clareza para a tomada de decisões”, avalia.

Conforme o especialista, hoje existem estudos contundentes que colocam a atividade física como um dos remédios mais eficazes da atualidade. Isso pelas melhorias para a saúde física, mas também para a saúde emocional. No caso dos empresários, que muitas vezes vivem sob pressão, ter o esporte como aliado é uma forma de gerenciar o estresse que a rotina acaba impondo.

“O estresse exige uma reação de luta ou fuga e o esporte pode ajudar a mostrar os caminhos. Caso contrário, se o empresário não souber lidar com esse estresse, o corpo vai sofrer, a mente vai sofrer e ele poderá adoecer”, explica.

Dr. Márcio Nutels

MUITO ALÉM DO FOLEGO

– os pilares invisíveis da liderança em movimento

Se o esporte é o combustível que auxilia muitos empresários a administrarem os seus negócios, ele é apenas uma das ferramentas que pode levar a viver em alta performance.

Nutels alerta para a importância de olhar para a saúde com uma visão integral. Isso passa por manter um estilo de vida que, além da prática de exercícios físicos, inclua alimentação equilibrada, suplementação, saúde intestinal, sono reparador, gerenciamento do estresse e equilíbrio metabólico hormonal.

“Todos esses pilares precisam de atenção para quem busca viver no que chamamos de giro alto. Os empresários, muitas vezes, estão superatarefados e acabam negligenciando esses aspectos. No entanto, aqueles que dão atenção a esses cuidados, têm mais energia e menos cansaço, mais disposição, energia e autoestima. E, quem está bem, rende melhor em tudo.”

 

Do primeiro passo à constância que transforma

Da mesma forma que muitos empresários já têm uma longa trajetória no esporte, muitos, em função de agenda corrida, acabam sedentários. Porém, Nutels destaca que nunca é tarde para começar.

“A orientação é começar fazendo o que você gosta. Não gosta nada? Encontre algo que goste, pois há inúmeras modalidades esportivas. Dá para iniciar até mesmo com uma caminhada, com atividades de baixo impacto”, afirma o nutrólogo, salientando que o mais importante, num primeiro momento, é criar o hábito e colocar o corpo em movimento.

QUANDO O ESPORTE VIRA FILOSOFIA

Seis líderanças encontraram nas trilhas, nos tatames e nas ondas as forças para conduzir suas empresas

 “Eu pratico snowboard, kitesurfe e, há mais de 20 anos, faço voo livre. Inclusive, participo do campeonato gaúcho, brasileiro e de alguns campeonatos europeus de voo livre.

O voo livre exige muita dedicação e 100% de concentração. É um esporte desafiador e excelente para quem está envolvido com negócios, com a pressão de ser empresário. Quando tu estás no alto, teu foco está todo naquele momento, tu desligas de absolutamente tudo, e isso é como se fosse um ‘reset’ para a mente. Depois de um voo longo, com objetivos cumpridos – durante um voo vamos superando diversos desafios – a sensação é fantástica. Isso me motiva a me desafiar para um próximo voo, porque as condições sempre serão diferentes.

O fato de nenhum voo ser igual a outro, desenvolve a capacidade de pensar rápido, de agir, de tomar decisões. Com a mudança dos ventos, a gente precisa tomar atitudes rápidas e alterar as rotas para chegar no objetivo traçado. Essas decisões também estão presentes no dia a dia da empresa.

O voo livre tem um diferencial, ainda, por ser um esporte que envolve um risco maior, afinal, estamos nas alturas! Então, essa necessidade de assertividade nas decisões, ajuda demais no trabalho e nos desenvolve como pessoas. Se tu não fores assertivo, uma decisão errada pode acabar fazendo com que seja preciso pousar antes do esperado. Mas esse também é um aprendizado, porque não significa fim de jogo. É uma oportunidade para, no outro dia, tentar de novo.”

Daniel Geisse, diretor da Vinícola Família Geisse


“O triathlon me ensinou muita coisa, que posso aplicar na vida e nos negócios. Na empresa, mesmo que a gente planeje cada detalhe, o inesperado sempre acontece. Aí é momento de nos adaptarmos. Eu tenho um exemplo, uma prova de Ironman 70.3 (meio Ironman), no Rio de Janeiro. No dia, tudo foi diferente do previsto. Eu fui nadar no mar de Copacabana, no dia anterior, e o mar estava bom de nadar. No dia da prova, amanheceu com bastante correnteza. No ciclismo, tinha muito vento, precisava bem mais força. Quando fui sair para correr, fazia mais de 30º. Foi frustrante abrir mão do que eu tinha planejado, dos tempos que eu queria fazer. Terminei a prova, mas o aprendizado que ficou é que é preciso corrigir a rota e ajustar expectativas.

No mundo corporativo, também, as coisas nem sempre acontecem como a gente projetou, e essa capacidade de adaptação faz toda a diferença. Essa é a grande habilidade do mundo atual, que é muito dinâmico. Eu sou um atleta amador, faço triathlon para me divertir. Mas entendo que ele também é um momento de equilíbrio para eu desconectar do mundo e me conectar comigo mesmo. A gente aprende a sofrer, a se colocar em longas horas de treinamento, a valorizar a disciplina e a evolução diária.

Acho que o triathlon, como qualquer esporte, se relaciona com a vida de empresário. As conquistas vêm com paciência, disciplina, habilidade para mudar a estratégia quando for necessário. É preciso ter habilidade de se adaptar, mas sempre com um objetivo audacioso.”

Diretor Administrativo e de Marketing da Bebidas Fruki, Júlio Eggers


“Hoje eu sou adepto da corrida, mas a minha relação com o esporte começou na infância. Com seis anos, eu já estava na Escolinha do Nacional e comecei a disputar os campeonatos de futsal. Depois, fui treinar na escolinha do Sete, lá disputava campeonatos de futsal e de futebol de campo, de futebol de 11 e futebol 7. Joguei futebol até os 14 anos no Nacional e no Sete de Setembro. Com 15 anos, fui para o infantil do Guarani, de Venâncio, e joguei nas categorias de base. Depois, joguei nas categorias de base do Lajeadense. Voltei para o Sub 20 do Guarani e, depois, me profissionalizei no Lajeadense. Eu ainda fiz natação por quatro anos, disputava torneios regionais. Também jogava bolão, fiz jiu-jitsu e, na escola, jogava vôlei.

Minha relação com esporte sempre foi uma possibilidade de fazer amizades, de ter grupos, de eu me desenvolver e me disciplinar. Também, uma oportunidade de aprender a lidar com grupos, com a frustração, com a vitória e a derrota. Aliás, o esporte ensina a perder, mas a não gostar de perder. Ele ainda ajuda a entender que existe o teu momento para as coisas.

Posso dizer que, principalmente, o esporte me ensinou a perseverar, a acreditar até o último minuto. Como empresário, isso é muito importante, porque a gente lida com crenças e com informações que vêm de todos os lugares. Muitas vezes, informações de crise para paralisar o empreendedor. O esporte ensina a continuar. E traz muita disciplina: se está chovendo, se está muito quente… tem que fazer igual! O esporte dá essa disciplina fundamental para a construção de um empresário.”

Mauro dos Santos Filho, presidente e CEO do Grupo Medical San


“Minha jornada como esportista não é de hoje. Por muitos anos, joguei futebol. Já tive bolsa para jogar futebol nos Estados Unidos, a última bolsa ganhei quando eu tinha de 15 para 16 anos. Depois disso, decidi me aposentar. Foi uma decisão difícil, porque, nos Estados Unidos, eu conseguia estudar e performar muito bem em campo. Mas eu entendi que as oportunidades seriam maiores sendo empresário.

Eu sempre fui muito voltado ao futebol, mas também já pratiquei snowboard, golfe e basquete. Hoje, estou com 23 anos e, recentemente, eu voltei ao jiu-jítsu, que é muito mais que esporte: é uma filosofia. É um local onde muitos empresários e atletas de alto nível ficam num mesmo ambiente. No tatame, a sinergia entre pessoas muito habilidosas, une-se com aquelas que estão começando do zero. Isso ensina a ter muita humildade.

O esporte, principalmente o jiu-jítsu, me ensinou a desenvolver a disciplina. Nos esportes em equipe, consegui desenvolver minha liderança. Para liderar equipes numa empresa ou um time de esportes, precisamos ter a mesma frequência mental e emocional.

Eu tenho convicção que o esporte melhora a performance do empresário porque, especialmente o esporte individual, tem nuances e hábitos subliminares, que são uma intersecção entre o emocional, o físico e a estratégia. No jiu-jítsu, o mais fraco consegue ganhar do mais forte e isso exige estratégia. Ele desenvolve a questão sensitiva, ensina a estar sob pressão, a ter resiliência emocional. E isso ajuda muito o empresário.”

Cadu Pedroso, diretor de Marketing da Cia do Sono

 


“Eu sou ciclista de Mountain Bike (pedalamos em terrenos acidentados, incluindo trilhas) e ciclista de Speed (bicicletas feitas para velocidade principalmente na estrada). Comecei com mais intensidade no ciclismo há 20 anos. Nesse meio tempo, parei cerca de seis anos, e retornei em 2018.

O ciclismo me tira da zona de conforto. Sendo ciclista, tenho um regime disciplinar, muita resiliência, muita parcimônia. Eu conheço meus limites, sei quando preciso me poupar. Tenho humildade para conseguir terminar os trajetos, mas comemoro, acho muito prazeroso, quando eu chego ao destino.

No ciclismo, a gente está sempre negociando com a gente mesmo. Precisamos abrir mão de várias coisas, cuidar da alimentação e treinar muito. Isso nos dá uma disciplina e resiliência fantásticas, e levo isso para os negócios.

Acho que o ciclismo é um divã dos empresários, ele é nosso psiquiatra. Muitas vezes, estou pedalando e pensando em como resolver algum problema. Já tive muitos insights pedalando!

A nossa vida também é muito competitiva e o ciclismo tem um código de ética bem maior do que no mundo corporativo. Em provas, quando um cai, quem está do lado, espera. Esse respeito que existe no ciclismo, eu procuro trazer para a minha atividade empresarial, sempre me guiando pela minha consciência.

Além disso, o ciclismo me dá uma capacidade física e respiratória absurda. Fico com a cabeça oxigenada e me desafio a sempre. Tudo isso, melhora a minha performance profissional.”

Carlos Paulo Fortuna, diretor comercial da Incorporadora Astir e responsável pela parte comercial dos ativos corporativos do Grupo Isdra


 

“Faço corrida há 15 anos e pratico crossfit há dez anos. O esporte auxilia muito na minha jornada empresarial, principalmente, para manter a sanidade mental. O estresse, a ansiedade, essas questões acometem a todos que trabalham hoje em dia. Então, o esporte, ele me alivia.

Muitas vezes, tu estás cheio de preocupações e coisas para resolver e vais treinar. Quando tu sais do treino, estás com outra aura, libera as endorfinas. Muitas vezes, tu sais com soluções, só por ter esvaziado a mente, ter feito um exercício e cansado o corpo, tu consegues resolver uma questão. Tu sais daquela posição de estresse diário e te coloca num outro nível, onde consegues pensar com melhor discernimento.

Habilidades como disciplina, foco, estratégia e preparo também são desenvolvidas. Temos que saber que ganha a guerra quem está melhor preparado, então, o treino, a regularidade, tudo isso o esporte me ensinou e essas habilidades valem para a vida empresarial e pessoal. Por tudo isso, com certeza, o esporte melhora a nossa performance. Principalmente no crossfit, onde a gente acaba tendo uma turma, acaba fazendo amigos. Eu faço negócios com os meus colegas, já que todo mundo está no mesmo barco. Sempre digo que a gente compra dos amigos. É um relacionamento e isso, também, o esporte me ensina e me ajuda: a fazer negócios. Além de aliviar o estresse, tirar a mente do caos, tu ainda consegues fazer negócios com os colegas de esporte!

Eu super-recomendo que os empresários sejam adeptos do esporte. O mais importante é fazer um esporte que tu gostes, onde te sintas acolhido e exista essa sensação de pertencimento. Aí tu consegues manter a regularidade.”

Maitê Dall Onder Michelon, diretora do Hotel Dall’Onder


“Atualmente, eu pratico corrida e beach tennis. Mas, durante a infância, vivenciei outros esportes, como o tênis e o vôlei. Há mais de 30 anos, entre paradas e recomeços, me dedico às corridas. Já o beach tennis há mais de cinco anos. Ano passado, corri duas meias maratonas e, neste ano, estou para correr duas novamente, sendo que completarei a minha meta/desafio no final de agosto, na meia maratona de Buenos Aires, na Argentina.

A prática dos esportes me ensina que nem sempre se ganha, trazendo aprendizados também com as perdas. Isso influencia no dia a dia do trabalho, já que a gestão dos negócios segue esse dilema. Com os desafios, é preciso ter coragem, disciplina para treinar e buscar conhecimento, sendo possível virar o jogo e se superar.

As modalidades que pratico incentivam o desenvolvimento de estratégias, exigem organização de agenda e a disciplina para os treinos. No caso do beach tennis, a boa comunicação e trabalho em equipe também são fundamentais. São ensinamentos que levo para a empresa, já que, como líder, preciso orientar, criar planejamentos estratégicos e saber trabalhar e orientar diferentes equipes – desde equipes industriais até time de varejo e mercado.

O esporte é movimento, assim como os negócios. Ambos exigem disciplina, boa saúde mental e persistência. A prática de atividade física nos traz mais disposição e energia para o trabalho e para tomadas de decisões, já que estamos com o corpo e mente em movimento. Para quem ainda não pratica, indico pesquisar e iniciar com algo que goste e tenha afinidade. O esporte é um estilo de vida, em que fatores como o movimento, a alimentação e o pensamento positivo andam juntos.”

Andrea Kohlrausch, presidente da Calçados Bibi

Conteúdo publicado na edição 63 da revista Gente que Faz:

 



Tags relacionadas

Comente



Compartilhe!







POSTS RECENTES

Image

De guria para guria, a beleza que se multiplica

Há marcas que surgem de uma ideia. Outras, de uma intuição. Carine Prestes e Lisiani Fuhr compreenderam cedo que beleza não é adorno. É linguagem, gesto e identidade. Essa percepção transformaram em propósito, criando uma grife e uma conexão de sucesso que traduz o brilho contemporâneo das mulheres que sabem quem são Movidas pela sensibilidade […]

LEIA MAIS
Image

A visão afiada de Simon Mayle sobre o turismo que importa

“Luxo é humanidade”  À frente da ILTM Latin America e North America, Simon Mayle é um dos olhares mais influentes do turismo de alto padrão no mundo. Mas, quando fala de luxo, sua perspectiva destoa das narrativas óbvias: para ele, o verdadeiro privilégio não mora na estética impecável nem no número de estrelas de um […]

LEIA MAIS
Image

Conheça a nova coleção prêt-à-porter do Eduarda Galvani Atelier

Um novo olhar sobre o luxo, o design e o tempo   Riviera nasce do desejo de celebrar o verão com uma elegância despretensiosa e contemporânea, um convite para desacelerar, respirar e sentir o sol tocar a pele. Composta por peças em linho, cetim, renda e alfaiataria leve, a coleção revela bordados delicados e acabamentos […]

LEIA MAIS