Vem com a gente no tapete vermelho do primeiro hotel de Christian Louboutin

 

 

Como um hotel de apenas 13 quartos, aninhado junto a uma vila pitoresca, com ruas de paralelepípedos alinhadas com casas caiadas que sussurram contos de uma época mais simples, no Alentejo, dá tanto o que falar? A rubrica pela curiosidade certamente vem do seu proprietário, Christian Louboutin, idolatrado pelos seus sapatos de sola vermelha. Sem dúvidas, ele assina um refúgio diferente de qualquer outro, sendo que sua primeira incursão hoteleira descerra uma vibrante tapeçaria de arte, cultura, história e valiosidades audaciosas de seu próprio protagonista

Em Melides, no Alentejo, Christian Loubotin projetou o Hotel Vermelho ao seu estilo

 

De sapatos a hotéis, o designer dá um passo à parte que poderia ser surpreendente se esse

entusiasta de design de interiores não fosse também um colecionador de casas e antiguidades

Lá fomos nós para a pitoresca vila de Melides, para degustar o lugar que reflete uma visão única de Louboutin e sua paixão pela cultura e pela arte.  Uma fachada discreta nos recebe no edifício azul celeste e branco, com certeza bem definida para fazer contraposição aos exuberantes interiores.  Nada aqui é padronizado ou de uma estética previsível.

Vermelho Melides é uma ode à curadoria do designer francês, sendo que cada canto explode num caleidoscópio de cores, histórias e garimpo meticuloso. São apenas 13 quartos, refúgios de individualidade, quase que como uma mansão do colecionador que lhe recebe com exclusividade.

Nos espaços de seus três pisos e jardim, é um mapa-múndi de Christian Louboutin, há murais pintados à mão e madeiras ricamente embutidas, antiguidades do norte da África e da Europa, tecidos extravagantes e pedras portuguesas, há peças que homenageiam sua herança egípcia, há azulejos que sussurram a herança moura de Portugal, há móveis artesanais que trazem o charme rústico do lugar. A Índia inspira o lounge, o balcão do bar (aberto a não hóspedes, assim como o restaurante) é uma homenagem à Andaluzia, com um altar de prata feito na oficina sevilhana Orfebrería Villareal.

A narrativa do Vermelho cativa pela sua sua individualidade. Dois quartos idênticos aqui não há, cada um traz singularidades, como um cama de dossel ou uma mesa de vime em forma de macaco. Há móveis e objetos guardados ao longo dos anos e peças de artistas que Louboutin admira, que cá estão.  Há um sussurro de contos de terras distantes, mas com o atrevimento pontual e alegre do designer.

Mélides ainda é um local inexplorado, a poucos minutos de uma costa fantástica, com paisagens únicas

A ideia inicial de Christian Loubotin era abrir um restaurante. O criador tem casa em Melides desde 2009 (depois de se ter cansado do buzz da Comporta) e gostaria de ter um restaurante que estivesse próximo e onde pudesse comer bem. Foi este o start para o complexo, que tem no seu restaurante Xtian a gastronomia vibrando na mesma intensidade prazerosa da decoração, fazendo que ambiente e paladar tornem-se memoráveis, pois nenhuma escapada de luxo está completa sem uma jornada culinária à altura.

Os jardins convidam a um doce estar, com piscina e esculturas ao ar livre que refletem a estética artística de Louboutin. A localização privilegiada permite aos hóspedes explorar as praias tranquilas de Melides e apreciar a beleza natural da região.

Mélides é ainda um local inexplorado, a poucos minutos de uma costa fantástica, com paisagens únicas. Se é verdade que está cada vez mais popular, ainda é possível passar despercebido e encontrar praias selvagens e quase desertas. Tão certo deu o Vermelho, que Loubotin já está construindo o Vermelho Lagoa, junto à lagoa de Melides, com previsão de conclusão para 2026 e novamente exclusivo, com apenas 10 quartos e vista para o mar.

O esteta cercou-se de amigas, a arquiteta Madalena Caiado e a designer de tecidos Carolina Irving, apelou a artistas e designers para imaginarem uma decoração com forte personalidade, que celebrasse a arte de viver em Portugal

Aliás, a lagoa é motivo de grande paixão por parte do designer, que   está envolvido em projetos de preservação de sua biodiversidade, através da associação sem fins lucrativos, Intertidal Melides.  Em 2020, o designer foi um dos fundadores da associação, que junta agricultores, proprietários de casas e de terrenos locais e que opera com doações de cidadãos de Lisboa e Melides. Na origem desta associação está a conservação da biodiversidade local, mediante um sistema integrado de proteção dos recursos hídricos, da tentativa de manutenção da fauna local como flamingos, patos, gansos e outras espécies, que vivem em permanência na lagoa, ou em regime migratório, assim como a vontade de conseguir gerir melhor o cultivo de arroz.

Criado pelo ourives espanhol Villareal, o bar de mármore verde e folha de prata martelada é inspirado nos palanquins usados ​​durante as procissões da Semana Santa em Sevilha

O Vermelho já é um sucesso reconhecido internacionalmente, integrando a cadeia Relaix & Châteaux, a convite da mesma, que com mais de 70 anos de existência recebe centenas de candidaturas, mas apenas 20% são aceites. O Vermelho Melides foi o último projeto português a estar presente nesta lista de prestígio e isto acontece, após dois convites, um no início do projeto e outro há pouco. Há quem diga que é um lugar para sonhadores, vamos além… aqui cada detalhe é um convite a uma pincelada ousada na tela de uma obra-prima maior. É um lugar onde cada momento é uma oportunidade para se encontrar no talento criativo de um ícone.

Emblemáticos do artesanato português, os azulejos, moldados e pintados à mão pela fábrica Azulejos de Azeitão, decoram quatro das suítes do hotel

 


O esteta cercou-se de amigas, a arquiteta Madalena Caiado e a designer de tecidos Carolina Irving, apelou a artistas e designers para imaginarem uma decoração com forte personalidade, que celebrasse a arte de viver em Portugal


A eclética sala de estar indiana combina um teto balinês, uma base de escamas de espelho revestidas de mercúrio da Índia, mesas de madrepérola das Filipinas e poltronas encontradas em Drouot

Conteúdo publicado na edição 62 da revista Gente que Faz, por Neiva Schneider. Fotos, divulgação. 

 

 



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