Um fenômeno chamado pôquer

O jogo de cartas mais popular no mundo vem conquistando a cada dia novos adeptos. A Confederação Brasileira de Texas Hold’em (CBTH), entidade que organiza o pôquer no Brasil e é cadastrada no Ministério do Esporte, estima que o número de praticantes no país já passe de oito milhões de pessoas. O acesso ao jogo em mesas online e a mídia em cima de jogadores famosos, como Neymar e Ronaldo, são alguns dos fatores que nos últimos anos têm contribuído para esse fenômeno

 

Ao lado de jogos como xadrez e damas, há oito anos o pôquer entrou para a lista de “esportes da mente”, oficialmente reconhecido pela International Mind Games Association (IMSA). Motivo de comemoração para os incentivadores da modalidade, essa foi apenas uma das conquistas na última década, ajudando a embalar sua expansão pelo mundo.

Para difundir ainda mais o esporte no Brasil, a CBTH lançou uma campanha digital com o uso da #joguepokerfaçaamigos. A ideia é deixar o tema mais leve e mostrar que qualquer pessoa pode entrar para esse meio, participar de um grande evento, conhecer um clube, abrir uma conta e jogar na internet nas horas vagas.

Antenado às tendências, o empresário Renato Breunig – um dos grandes nomes no entretenimento noturno nos vales do Taquari e do Rio Pardo – mais uma vez foi pioneiro na região ao apostar suas fichas nessa febre mundial. Em março, abriu em Lajeado o Sprits Poker Club.

“Este é um jogo de habilidade, para quem gosta de desafios, mas também para reunir os amigos e se divertir. Acaba se tornando mais um evento social”, analisa Breunig, que aprendeu a jogar pôquer quando morou na Europa, na década de 1970.

O clube abre três vezes por semana e, em cinco meses, já recebeu mais de 200 jogadores. Segundo o empresário, o espaço está entre as três melhores infraestruturas do Estado, com direito a mesa com embaralhador automático italiano. Diversão de alto nível, considerando que o campeão do torneio, no final do ano, vai levar para casa um Mobi 0km.

Alex Percosky, Renato Breunig e Tiago Nicaretta

Aliás, tradicionalmente os prêmios costumam ser bem interessantes nessas competições. Em Las Vegas (EUA), onde acontece o evento de maior prestígio no mundo – o Main Event World Series of Poker (WSOP), o vencedor deste ano faturou 8,8 milhões de dólares.

Tiago Nicaretta, sócio de Breunig no clube em Lajeado, comenta que desde o início estão promovendo ações para a formação de novos competidores, com vistas à expansão e continuidade do esporte, e também para ampliar a participação feminina.

“Quando abrimos, os jogadores eram 100% homens. Agora, um dia que reúne 40 pessoas chega a ter oito ou nove mulheres. Em breve, a casa deverá ser pioneira no Estado ao organizar o primeiro torneio para ladies”, observa Nicaretta.

Um Breitling em jogo

O pôquer está tão em alta nos últimos anos, que tem até pautado ações de relacionamento e fidelização de clientes no mercado de luxo em Porto Alegre. Atento aos hobbies da clientela da DvoskinKulkes Joalheria, o sócio-diretor João Pedro Kulkes teve a ideia de promover no ano passado um torneio exclusivo para convidados. A iniciativa foi bem aceita e agora organizam a quarta edição do evento. Será um dia de jogos, em setembro, para 30 participantes. Como prêmio, o primeiro colocado receberá um relógio Breitling, modelo suíço avaliado em R$ 30 mil.

“O pôquer vem crescendo muito no Brasil. Eu acompanho e gosto, porque é um esporte de estratégia e inteligência. Nossos clientes demonstravam interesse em jogar mas comentavam que nem sempre encontravam um ambiente bacana para isso. Promovemos dois torneios por ano, com serviço do restaurante 300, e esses momentos se tornaram uma excelente oportunidade para confraternização”, comemora Kulkes.

Profissão: dealer

Se para alguns o pôquer é apenas um motivo para reunir os amigos, bater papo, exercitar a mente e se divertir, para outros o jogo é assunto sério. Há mais de 10 anos Felipe Bald aprendeu a jogar e descobriu com a prática uma profissão. Ele trabalha na Sprits como dealer – também conhecido como crupiê. Basicamente, é quem embaralha e dá as cartas e controla as apostas. Essa função requer bastante habilidade e agilidade. Mas não é só isso. Se uma rodada empata, o dealer precisa ter raciocínio rápido para calcular a divisão de fichas.

“As regras do pôquer são simples, mas jogar bem é complicado, porque exige um alto grau de conhecimento. Têm pessoas que se dedicam ao estudo do jogo como se estivessem numa faculdade, com a leitura de livros e artigos. Eu prefiro assistir vídeos no Youtube, para conseguir entender melhor o que está acontecendo em cada jogada. E ainda treino em mesas online”, comenta Bald. Para quem tem interesse no assunto, ele indica o portal Super Poker (www. superpoker.com.br).

Quando não está trabalhando, ele participa de competições pelo Estado. No ano passado ficou em 3º lugar no Torneio de Poker de Venâncio Aires, evento que reuniu mais de cem jogadores. Obteve a mesma colocação na etapa de Passo Fundo da Copa RS de Poker 2017. Nesta, o resultado foi em equipe, com dois parceiros de Lajeado, André Duarte e Alan Poletto.

O pôquer no cinema

Apesar de registrar esse boom nos últimos anos no Brasil, não é de hoje que o pôquer faz sucesso nos Estados Unidos e, consequentemente, no cinema. Confira alguns títulos:

Golpe de mestre (1973)
Maverick (1994)
Cartas na mesa (1998)
O Jogador – A história de Stu Ungar (2003)
Bem-vindo ao jogo (2007)
Aposta máxima (2013)
A grande jogada (2017)

 

Texto Josiane Weschenfelder Rotta

Fotos Janine Brandão

Publicado na edição 40 da revista Gente que Faz

 



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