Fernanda Pozzebon: o que os astros nos explicam

Com cada vez mais adeptos, a astrologia se insere no cotidiano para nos ajudar a entender os resultados de relacionamentos e ações que tomamos e os impactos gerados por cada passo dado em busca das realizações

É bastante comum em nossas vidas buscarmos respostas para acontecimentos. Curiosos e inquietos que somos, não nos contentamos em apenas em ver a nossa vida passar, mas entender o motivo pelo qual cada fato, positivo ou negativo, aconteceu – e o porquê de ter acontecido naquele momento. Cada qual com a sua crença, sem certo ou errado, apenas com o intuito de compreender como moldamos nossos costumes, por qual razão nos aproximamos de uns e nos afastamos de outros, a razão pela qual um projeto deu certo e o outro foi malsucedido. Há quem procure a religião para explorar esse mundo, mas a astrologia, tão longínqua em história quanto, também nos possibilita entender nossa existência no mundo.

O estudo dos astros contém registros de 3000 antes de Cristo e baseou o desenvolvimento de importantes culturas, como os egípcios, gregos e romanos que utilizavam os mapas astrais e o posicionamento dos astros para tomada de importantes decisões. Ao longo do tempo, a Igreja Católica condenou tal prática e considerou seu estudo algo ligado tão somente à superstição, sem embasamento. À época do Renascimento, no século XVI, houve uma forte retomada da astrologia – inclusive com apoio da Igreja – com o seu uso feito por nomes como Isaac Newton, Galileu Galilei e Nicolau Copérnico, mas sempre com um pé atrás de outras lideranças da época acerca da veracidade.

Atualmente, a astrologia tem sido objeto de interesse cada vez maior por parte da população. É bastante comum vermos profissionais – ou simplesmente curiosos no assunto – discutindo o posicionamento dos astros, cujo impacto é absoluto nas nossas vidas. A regência do Sol e da Lua, bem como alinhamento dos planetas e os signos são capazes de dirimir dúvidas sobre o que quisermos, desde um momento pessoal até a realidade de um país. Há quem use esse conhecimento para orientar a agricultura para o plantio e colheita, a previsão meteorológica, a abertura de uma empresa e, acredite, até a contratação de um funcionário. A astróloga Fernanda Pozzebon explica que é possível mapear acontecimentos de qualquer objeto a partir da sua data de nascimento (ou criação), dia e hora do fato e o local onde aconteceu. É o que se chama de mapa natal, um norteador dos motivos e das missões do objeto em estudo para a sua existência.

Fernanda fez o curso de astrologia junto com a faculdade de direito. Atualmente, ela divide a atenção entre os dois assuntos, cujas carreiras já acumulam quase duas décadas. Professora na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e advogada, ela conta que o interesse pelos astros veio de família. “Uma tia minha me deu alguns livros quando eu tinha 12 anos. Foi o meu primeiro contato com o assunto”. O início dos estudos e a crescente vontade de compreender esse mundo impulsionou Fernanda a mergulhar fundo no conhecimento sobre a astrologia. Hoje, ela trabalha com mapas astrais e consultas, assim como palestras sobre o tema.

A astróloga chama o mapa natal de cada pessoal de “segunda carteira de identidade” da pessoa. Ele é feito com os dados de nascimento e o resultado seria como uma fotografia do universo de quando viemos ao mundo.  Para Fernanda Pozzebon, o nascimento vem sempre com um propósito, e é possível prever alguns traços de personalidade que estarão presentes naquele ser humano na sua vida pessoal e profissional. “Até os sete anos, a criança adquire a personalidade, suas características e como elas irão se manifestar durante a vida”, explica.

Durante a vida, há os mapas astrais, cujo ciclo dura um ano e se altera de tempos em tempos, justamente pelo alinhamento diferente dos astros. Fernanda explica que os mapas podem nos dar a direção para o mais correto a se fazer naquele período, quais atitudes são mais corretas e quais deveríamos deixar de lado, como iremos nos comportar dentro dos círculos profissionais, familiares e sociais e no que devemos apostar ou evitar. “A cada ano, há algo a ser realizado e isso é indicado no mapa. Os astros nos ajudam a ver o que é mais propício para aquele ciclo”, explica.

Ela dá um exemplo de como os astros podem explicar alguns fenômenos da nossa vida. Em maio, o Brasil sofreu com a greve dos caminhoneiros, que paralisou todo o país e causou uma crise de desabastecimento geral. Uma das explicações possíveis seria o fato de Urano estar alinhado ao signo de Touro, o que para a astrologia tem a ver com escassez de alimentos, um momento de reavaliação do consumo por parte das pessoas. Tal movimento, segundo explica Fernanda Pozzebon, aconteceu muito próximo do início das manifestações e teria como objetivo nos fazer refletir sobre a forma como lidamos com recursos essenciais para a nossa vida, como poderíamos nos adaptar a um cenário de menos fartura, ou seja, formular uma autocrítica e melhorar a respeito do assunto.

A astróloga defende que o assunto deveria ser tratado ainda nas escolas, com as crianças. O conhecimento dessa ciência não-exata tornaria possível o autoconhecimento e geraria uma reflexão sobre vários aspectos da vida atual e do futuro dos meninos e meninas. Uma das palestras que Fernanda Pozzebon ministra é sobre como o estudo pode impactar na escolha das carreiras profissionais das pessoas. Para ela, muitos estudantes seguem caminhos com os quais não estão identificados por desejo da família e se tornam infelizes, algo que a astrologia poderia ajudar a resolver. “Eu não fiz Direito por causa do meu mapa astral, até porque não sabia ainda como montá-lo, mas depois pelo mapa descobri que essa era a minha vocação, bem como lecionar e fazer palestras”. A abordagem ajudaria a “desmistificar” o assunto, na visão de Fernanda, ainda visto com desconfiança por muitas pessoas descrentes com as previsões oriundas desse estudo.

O impacto de cada astro na nossa vida

  • Sol: Caminho da individualização, desejo de reconhecimento, potencial criativo. Regente do signo de Leão.
  • Lua: Expressão dos sentimentos espontâneos, vínculos afetivos. Onde se busca a realização emocional. Regente do signo de Câncer.
  • Vênus: Onde expressamos afeto e amor. A maneira como nos relacionamos e os valores sociais, afetivos e materiais. Regente dos signos de Touro e Libra
  • Marte: Ação, impulso, energia. A coragem e a “agressividade” para buscar coisas. Regente do signo de Áries.
  • Júpiter: Crescimento e desenvolvimento pessoal, nossas crenças e exageros. Regente do signo de Sagitário.
  • Urano: A busca pelo diferente, o novo. Mudanças que devemos fazer para progredir, consciência social e a nossa liberdade. Regente do signo de Aquário.
  • Netuno: Criatividade artística. Voltado aos sentimentos do amor, da sensibilidade, do misticismo. Regente do signo de Peixes.
  • Plutão: Potencial de transformação, onde buscar aprofundamento. Tensões, medos e dramas. Regente do signo de Escorpião

Por João Dienstamnn

Foto Divulagação

Publicado na edição 41 da revista Gente que Faz



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