O primeiro casal do Rio Grande



 

 

Conheça a história, a personalidade e as ideias do governador eleito José Ivo Sartori e da primeira-dama, Maria Helena – que o acompanha de muito perto

O governador eleito José Ivo Sartori e a futura primeira-dama, Maria Helena Sartori, receberam a reportagem de Gente que Faz em uma tarde de novembro, no meio do período de transição de governo. O casal contou sua história, muito atrelada à política, e desde muito cedo. Falaram dos filhos, Marcos e Carolina – ele jornalista, ela publicitária – lembraram passagens engraçadas em família e deixaram passar um pouco de suas personalidades – ele sério, de vez em quando solta umas piadas no meio da conversa, o sotaque da colônia às vezes aflora; ela doce, mãezona, mas do estilo ‘faca na bota’, que não deixa ninguém sem resposta. Tire suas impressões lendo o bate-papo abaixo.

 O ENCONTRO

Maria Helena Sartori – Nós nos conhecemos na Universidade de Caxias do Sul. Sartori era presidente do DCE, eu fui ser secretária dele. Estávamos no curso de filosofia, ele mais adiantado do que eu.

José Ivo Sartori – E ela, como boa secretária, sentava no meu colo.

Maria Helena – Não sentava, nada, que bobagem! Nós fomos muito tempo amigos antes de começar a namorar. Ele tinha namorada, eu tinha namorado… Mas deixo claro que eu não fui a responsável por ele ter saído do seminário, conheci ele quando já tinha saído de lá! São 41 anos de relacionamento.

José Ivo Sartori – Acho que é mais… 42. Foram três anos de namoro. Casamos em 1976, no dia 9 de julho, a convenção do partido foi no dia 11. Fui indicado a candidato a vereador, vencia as eleições. Acho que ela me deu sorte. Aí cumpri meu mandato por seis anos, depois fui me candidatar a deputado, perdi a primeira eleição, mas depois, em 1982, ganhei e fiquei 20 anos na assembleia.

 POLÍTICA: ACASO OU DESTINO?

José Ivo Sartori – Nunca pensei em ser político. Tanto que estudei para ser padre. Saí do seminário e fui ser professor, também nunca havia passado pela minha cabeça ser professor. Saí do seminário e fui dar educação religiosa em um colégio de freiras. Aos 29 anos comecei a lecionar na universidade, na Faculdade de Pedagogia, a cadeira de filosofia da educação. Mas voltando à política, fui vereador em Caxias por seis anos, depois estive por 20 anos na Assembleia Legislativa e fui presidente da Assembleia, em 1998. Participei ativamente da elaboração da nova constituição, fui Deputado Constituinte. Também fui secretário de Pedro Simon. Conheci muita gente, vivenciei muitas coisas da política nacional. É uma vida.

VIDA E POLÍTICA

Maria Helena Sartori – Há muitos acontecimentos da nossa vida que estão ligados à política. Nós casamos no ano em que o Sartori se elegeu vereador, em sua primeira eleição. Casamos num mês de julho, em um sábado, no domingo foi a convenção do partido que o indicou a candidato a vereador. De lá para cá, até um ano e meio atrás, ele sempre teve mandato. O Marcos, nosso filho, nasceu na véspera da primeira eleição dele para deputado. Eu estava no comitê pintando faixa quando comecei a sentir as contrações para o nascimento do Marcos.

José Ivo Sartori – O coordenador da campanha era o Isidoro Zorzi, que era reitor da universidade. Nós não tínhamos carro, e o Isidoro teve que nos levar de Caravan para a maternidade. Ela teve 18 horas de parto.

Maria Helena – Agora ele vai contar os detalhes do parto…

Sartori – Ela entrou no hospital às quatro da madrugada e o Marcos foi nascer às 10 da noite. E de parto normal.

Maria Helena – Foi teimosia minha. Minha e do médico. Mas continuando, a Carolina também nasceu em ano eleitoral, e em outubro, perto da eleição. Então nossa vida, nosso cotidiano, e momentos importantes da vida de qualquer um, como o casamento, o nascimento dos filhos, sempre estiveram atrelados à política. Lembro de uma vez que o Marcos era pequeno, na época da luta pelas Diretas, o Sartori viajando em comícios e tal, botei o Marcos, que era um toquinho de gente, vestido com uma camiseta com a inscrição “Eu quero votar para presidente” de pé, em cima da mesa, para esperar o pai chegar. A Carolina votou pela primeira vez quando eu me candidatei pela primeira vez a deputada. Então, há umas simbologias bonitas que nos acompanham nesta caminhada.

A PASSAGEM PELO SEMINÁRIO

José Ivo Sartori – Ir para o seminário foi para mim uma consequência natural da vida que eu levava quando bem jovem. Eu sempre participei da Juventude Estudantil Católica, convivia com o pessoal da paróquia, era comentador da missa. Aí decidi ir para o seminário. Minha mãe detestou, dizia que eu não tinha cara de padre, mas eu fui do mesmo jeito. Entramos eu e mais oito guris. Mas lá vimos que a situação era diferente do que imaginávamos. Eu não queria ser um padre que não tivesse nenhuma ligação com a comunidade, que não fosse atuante. E eu também vi que aquilo ali não era para mim, porque comecei a sentir falta da família, e como gosto de mulher, comecei a querer ter uma mulher e também formar a minha família. No mesmo ano, dos nove que entraram, sete saíram, incluindo eu. Até hoje tenho amigos da igreja, uns colegas viraram bispos até, me dou bem com todos, pelo menos uma vez por ano nos encontramos. Eu todo ano participo da procissão de Caravaggio. Mas não encontro o Felipão, porque ele vai depois, fora da hora. Tou brincando, jantei com ele ontem, depois do Grenal.  Se eu torço para o Grêmio? Eu nasci gremista, mas sou juventude, o que é bem pior.

Maria Helena – Essa turma que saiu do seminário foi morar junto em uma república em Caxias.

Sartori – Ficamos muito amigos, casamos todos no mesmo ano!

 

A FAMÍLIA E OS AMIGOS

Maria Helena Sartori – Tivemos muitas idas e vindas de Caxias do Sul, Porto Alegre e Brasília nesse tempo todo. Tínhamos pensado em ficar direto em Porto Alegre, nos anos de 1990, mas estávamos construindo em Caxias, meu pai ficou viúvo, acabamos voltando para lá para ficar com ele. E é em Caxias do Sul que moramos até hoje. Nesse tempo todo formam poucos os jantares e almoços em família… Mas sempre que dava uma brecha a gente se reunia, só nós quatro, nós e os nossos filhos. Lembro que quando o Sartori estava em Brasília nós o esperávamos no aeroporto e íamos direto para um restaurante e lá ficávamos conversando. Uma vez a Carolina ainda era pequena, nós estávamos em Caxias, o Sartori ia chegar de viagem. Era um frio, uma neblina lá fora… E tínhamos combinado que íamos sair para jantar. Mas eu vi aquela tempo horrível, e eu lá, com um fogão à lenha… Botei a sopa de agnolini no fogo. O Sartori chegou e perguntou ‘ué, nós não vamos sair para jantar?’. E a Carolina, bem pequena, botou as mãos na cintura e disse ‘mas nós vamos perder a noite?’. Não aguentamos nos vestimos bem e fomos para um restaurante.

José Ivo Sartori – E olha que eu sou da sopa, hein! As crianças sempre tiveram muito perto da gente, desde muito pequenas nos acompanhavam nas festas de colônia, por tudo.

Maria Helena – Ah e o Sartori é do tipo que não consegue ficar muito tempo sem ter alguém em volta. Quando chega em casa para jantar sempre pergunta ‘quem vem mais?’.

Sartori – O Marcos só não gostou muito quando a Maria Helena resolveu se candidatar também.

Maria Helena – Ele dizia ‘bah, mãe, já chega o pai na política, agora tu também?’. Mas eu sempre tive uma participação ativa, desde os tempos do DCE da universidade, e sempre fui independente do Sartori. Fui diretora do Núcleo do CPERS em Caxias do Sul, depois ajudei a fundar o PMDB Mulher. Nessa última eleição não me elegi deputada novamente, mas fiquei de suplente. Mas pode ter certeza de que serei bem atuante no governo, vou trabalhar ao lado do governador.

Sartori – Não vai mandar em nada.

Maria Helena – Sei…

 

 

Por Andrea Lopes

Fotos Tiago Trindade

Publicado na edição 22 da revista Gente que Faz

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