17 amigos e um destino

Grupo de gaúchos percorre a icônica Rota 66 no melhor estilo highway: pilotando uma Harley Davidson. Marco na história dos Estados Unidos, a rodovia é símbolo da conquista do oeste


Esta é uma daquelas matérias que merece trilha sonora. Impossível não lembrar de Born To Be Wild, com Steppenwolf. Com este espírito de aventura, um grupo de amigos – 16 gaúchos (Lajeado, Estrela e Santa Cruz do Sul) e um americano da Flórida -encarou o asfalto para viver uma experiência única: cruzar boa parte da Rota 66, nos Estados Unidos, pilotando motocicletas Harley Davidson.

Ao longo de seis dias, no início de setembro deste ano, eles percorreram 2.760 quilômetros, da cidade de Oklahoma (Oklahoma) até Santa Mônica (Califórnia), passando por cinco estados norte-americanos. Fizeram o equivalente a 70% da rota, abrindo mão de percorrê-la por completo para que o roteiro pudesse ser encaixado na agenda de todos os interessados na expedição.

“Viajar de moto pela Rota 66 foi a realização de um sonho. E poder fazer isso com meus amigos foi fantástico”, vibra o empresário Fábio Nicaretta.

A maioria se conhece desde a infância e já compartilhou outros hobbies em comum. A paixão por motocicletas, em especial a lendária Harley, despertou em 2013. Foi quando fundaram o Selvagens Moto Grupo, que conta até com página no Facebook e perfil no Instagram. Além dos encontros semanais para passeios curtos, têm a meta de duas viagens mais longas por ano. Sobre duas rodas, já foram para Santa Catarina, Buenos Aires e Montevidéu.

Na Rota 66

Marco na história dos EUA, a Rota 66 é o símbolo do avanço para o oeste americano, traçando um caminho a partir de Chicago (Illinois), até Santa Mônica (Califórnia). Aberta oficialmente ao tráfego em 1926, tem 3.940 quilômetros de extensão.

O engenheiro Eduardo Gauer, que junto com Nicaretta integra o Selvagens, conta que optaram por ingressar mais na direção da segunda metade, por suas paisagens e também por seu valor histórico e cultural.

“A primeira parte já é mais urbanizada. Na segunda, pudemos trafegar mais na parte original preservada e ter aquela sensação de aventura, de realmente percorrer o caminho de quem viveu aquele grande acontecimento que foi a conquista do oeste. Cidades com aspecto de abandonadas e estabelecimentos com fachadas antigas fazem parecer que você está mesmo naquela época”, detalha Gauer.

 

Nas décadas de 1950 e 1960, a rota fazia parte do imaginário dos jovens americanos: em busca de liberdade, eles subiam em suas motos e lançavam-se na estrada rumo às praias do Oceano Pacífico. Deixavam o conservadorismo da costa leste seduzidos pelos costumes mais liberais da Califórnia.

Principais cidades e estados visitados:

  • Cidade de Oklahoma, em Oklahoma
  • Amarillo, no Texas
  • Tucumcari, Albuquerque e Gallup, no Novo México
  • Flagstaff, Williams, Kingman, no Arizona
  • São Bernardino, Los Angeles e Santa Mônica, na Califórnia

Pontos turísticos:

  • Em Amarillo, no Texas, o grupo conheceu o Big Texas Steak Ranch, um restaurante de beira de estrada com 50 anos de tradição. Destaque para o desafio cronometrado de comer um bife pesando mais de 2 quilos em até uma hora. Se você devorar todo o prato, os 72 dólares ficam por conta da casa.
  • Na mesma cidade, pit stop para seguir o ritual de quem faz a Rota 66: pichar o nome em um dos dez automóveis Cadillac que estão enfileirados e enterrados pela metade, compondo a escultura Cadillac Ranch.
  • Já em Albuquerque, no Novo México, os amigos descobriram que a casa do personagem de Walter White, protagonista do seriado Breaking Bad, é habitada de verdade! Durante seis anos a moradora cedeu a parte externa de sua residência para as locações do programa de TV.
  • Na cidade de Winslow, no Arizona, conheceram a cratera Barringer, que foi provocada pela queda de um meteorito, fenômeno ocorrido há mais de 50 mil anos. Com o tamanho de 20 campos de futebol e terreno semelhante ao solo lunar, já serviu de base para treinamento da Nasa, durante os testes da missão Apolo.
  • Em São Bernardino, na Califórnia, uma parada para visitar o Museu do McDonald’s, onde foi aberta a primeira lanchonete da rede de fast food no mundo.


Curiosidades :

  • Chegando nos EUA, o grupo desembarcou em Dallas, cidade onde locou as motocicletas. Em Oklahoma, ponto escolhido para a entrada na Rota 66, não foram encontradas empresas que prestassem esse serviço. A diária de cada Harley custou 109 dólares.
  • A Rota 66 hoje é basicamente um caminho turístico. Junto a ela está a rodovia Interstate-40. Por vezes elas são paralelas ou estão em traçados diferentes. Mas em alguns trechos também se tornam uma única estrada, em excelentes condições de trafegabilidade. Mesmo o traçado o original se mantém bem conservado. Chamou a atenção dos viajantes como é bem preservado este ícone da cultura e desenvolvimento da época.
  • Na rota, a velocidade máxima permitida é de 70 milhas por hora, o equivalente a 110 quilômetros por hora.
  • Do Texas até o Arizona o grupo de amigos teve uma experiência diferente na viagem, pois – conforme permitido por lei – puderam andar sem capacete. Vento no rosto e aquela sensação de total liberdade.
  • A viagem foi realizada no final do verão americano. No deserto de Mojave, o mais seco da América do Norte, o grupo chegou a enfrentar 47°C e baixíssima umidade do ar. E o mesmo sol que deixava os viajantes mais cansados também era o astro de um de espetáculo inesquecível: todos os dias, por volta das 20h, podiam seguir o pôr do sol de frente, na estrada.

Os aventureiros:

Fábio Nicaretta |Alexandre Heineck |Jeancarlo Giovanella |João Luís Giovanella |Felipe Braun |Gustavo Schmidt |Daniel Schmidt |Eduardo Gauer |Eduardo Gonçalves | Gabriel Merlin |Julio Katz |Pedro Katz |Maurício Radaelli |
Ramon Beppler |Ricardo Henz | Emanuel Lazzari Pinto | Ted Swiecichowski (EUA)

Por Josiane Rotta para a edição 36 da revista Gente que Faz

Imagens do acervo próprio dos aventureiros

 



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